IA na educação superior: o olhar de Leandro Pauletti — futuro e necessidade
No Claretiano, a IA é vista como “futuro e necessária”. Leandro Pauletti revela como a instituição está equilibrando inovação, regulação e cultura acadêmica para transformar ensino, avaliação e extensão além do hype.
Antonio GouveiaJune 12, 2024
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O debate sobre inteligência artificial na educação tem se intensificado nos últimos anos, e poucas instituições trazem uma visão tão pragmática e ao mesmo tempo inspiradora quanto o Claretiano – Centro Universitário. Conversamos com Leandro Henrique Tavares Pauletti, que compartilhou como a instituição tem lidado com os desafios de inovação, regulação e cultura docente em meio à revolução da IA.
Da banca ao campus: a trajetória de Leandro
Antes de assumir a gestão acadêmica, Leandro passou 14 anos no mercado financeiro. Essa experiência moldou sua visão estratégica e trouxe uma leitura mais objetiva dos números e indicadores educacionais.
“A educação transforma quando você abre mão da vaidade e absorve o que os outros podem te trazer.” — Leandro Pauletti
Desde 2014, ele atua no Claretiano, onde participou de grandes projetos como a implantação do curso de Medicina e a expansão da instituição para 21 graduações.
O conservadorismo da educação e a força da regulação
Leandro reconhece que a educação brasileira ainda é marcada por forte regulação e um certo conservadorismo em algumas áreas.
“O potencial da IA é gigantesco e, ao mesmo tempo, assombroso, porque a educação tem amarras regulatórias muito fortes. O desafio é equilibrar autonomia, liberdade e qualidade.” — Leandro Pauletti
Para ele, a mudança das diretrizes curriculares e a atualização das avaliações nacionais (como ENADE e ENAMED) exigem que as instituições se adaptem rapidamente, com novos processos avaliativos e mais interdisciplinaridade.
Hackathons, extensão e conexão com a comunidade
O Claretiano aposta na inovação aberta e na aproximação com a sociedade. Um exemplo é o Hackathon de Extensão, que reuniu estudantes de diferentes gerações em projetos de diversidade e inclusão.
Essa diversidade não é obstáculo, mas potencializa o aprendizado: jovens nativos digitais apoiam no letramento tecnológico dos mais experientes, sobretudo no uso de novas tecnologias como a IA.
Além disso, a instituição vem fortalecendo parcerias com o poder público e universidades como a UNESP para desenvolver pesquisa e extensão.
“Usar IA para estimular projetos extensionistas é uma oportunidade incrível. A extensão conecta a academia à comunidade, e a tecnologia pode potencializar esse impacto.” — Leandro Pauletti
O impacto da IA no ensino e avaliação
Na prática, a IA já vem sendo usada em experimentos com material didático, análise de métricas de aprendizagem e até como apoio em avaliações.
Leandro destaca que o uso responsável é essencial:
“A IA pode ser aliada ou atalho indevido. Ela estimula a cola apenas se a avaliação for frágil. Uma avaliação autêntica transforma a IA em parceira do aprendizado.”
No contexto dos exames nacionais, a preocupação é clara: com o modelo TRI (Teoria de Resposta ao Item) chegando ao ENADE e possivelmente ao ENAMED, os coordenadores precisam reorganizar matrizes, rever projetos pedagógicos e preparar seus docentes para uma nova lógica de competências.
Indicadores que importam
Na reta final da entrevista, pedimos a Leandro três indicadores que ele gostaria de ver em um painel de gestão acadêmica:
Desempenho dos estudantes em notas, curso a curso.
Experiência do aluno (NPS educacional), mapeando práticas, aulas e atividades integrativas.
Evasão em tempo real, para atuar antes que seja tarde.
Conclusão: IA como futuro necessário
Para Leandro, não há dúvida sobre o papel da inteligência artificial na educação:
“Se eu pudesse resumir a IA em duas palavras seriam: futuro e necessária.” — Leandro Pauletti
O Claretiano mostra que, apesar dos desafios de regulação e cultura, é possível olhar para a IA não como ameaça, mas como aliada na construção de uma educação mais autêntica, conectada e transformadora.