IA na Nuclea: eficiência com responsabilidade — uma entrevista sobre cultura, segurança e ROI
Na Nuclea, IA não é hype — é competência organizacional. Desde 2023, a empresa trata o tema com método: imersões executivas, governança rígida (LGPD, segurança da informação) e uso responsável em todas as áreas. Em 2025, a prática escalou e o resultado foi claro: menos discurso, mais prática. IA como ferramenta estratégica, humana e sustentável.
Raphael RosaOctober 31, 2025
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No mercado, ainda se fala muito de “IA que vai substituir pessoas” e pouco de cases reais. Na Nuclea, o discurso é outro: competência organizacional em IA, governança desde o primeiro dia e foco em eficiência — sem pular etapas de segurança. Conversamos com a gerente de DHO (Desenvolvimento Humano e Organizacional) da Núclea, Suellen Esteves, responsável por atração, educação corporativa, cultura, performance, pesquisas e BPs, para entender como o tema saiu do hype e virou prática. Logo de cara, ela crava a crítica que orienta toda a estratégia:
“Eu estou em tanto evento e a minha sensação é que estou vivendo os mesmos dias todos os dias... muito se fala sobre aplicações e pouco se fala sobre cases.”
1) De tema de nicho ao “boom” de 2023: a virada cultural
A Nuclea já discutia IA timidamente antes do estouro da geração de texto. O ponto de inflexão veio em 2023, com o ChatGPT e correlatos. Internamente, ela puxou o debate para além da ferramenta:
“A questão de IA, além de ser uma aplicação, precisava ser uma competência corporativa. A meta não era substituir ninguém, e sim tornar a rotina mais eficiente.”
Daí nasce um princípio que guia a área: IA para elevar o trabalho, não para inflar “headcount de tarefas”. Exemplos práticos: automatizar o “pré-recrutamento” para que recrutadores foquem nas conversas de fit e decisões de maior valor.
2) Governança primeiro: segurança, LGPD e arquitetura
A Nuclea opera em ambiente de segurança elevada. Não havia espaço para “testar qualquer coisa”. A pergunta sempre é como usar IA sem violar LGPD, confidencialidade e políticas internas.
“O nosso modelo de negócio é rígido; é um ambiente que não pode ter falha. Como adequar isso a um mercado de IA super aberto?”
A resposta foi arquitetura, curadoria e parceiros. Em 2023, a liderança passou por imersão executiva (in company) sobre possibilidades e riscos — o “banho de loja” que nivelou entendimento e criou linguagem comum entre negócio, jurídico, TI e RH. Em paralelo, a empresa estruturou regras de uso e camadas de tecnologia para que cada experimento nascesse com trilhos de segurança.
3) Capacitar para liberar: da universidade corporativa às ferramentas
Com a liderança alinhada, a Nuclea escalou o tema via universidade corporativa e treinamentos específicos (ex.: Copilot; limites e boas práticas no ChatGPT). O foco foi popularizar o uso responsável, sem transformar RH e TI em gargalo:
“Queríamos colocar o mesmo nivelamento, talvez não com tanta profundidade, mas com possibilidade para todo mundo.”
4) Conteúdo educacional com IA: eficiência onde dói no orçamento
Em 2025, o tema entrou numa fase pragmática: “vamos errar rápido e medir”. Na educação corporativa, o time testou geração de conteúdo com IA para reduzir tempo e custo — combinando produção tradicional com pipeline híbrido (algumas peças 100% IA; outras com IA como apoio a roteiro e pós-produção).
“Quando penso em custo e tempo, é gigante a eficiência que a gente ganha. Não estamos no estado da arte, mas já gera muita eficiência.”
O critério é qualidade vs. finalidade: peças estratégicas seguem com estúdio e agência; materiais táticos e de rápida atualização migram para IA. Resultado: mais volume com o mesmo time.
5) Seleção: o que é ganho real e o que é “over”
Na atração e seleção, a linha é clara: agentes para o contato inicial (WhatsApp, triagem, perguntas básicas, alinhamento de expectativas) sim; entrevistas com leitura facial e análise de sentimentos não.
“Isso, para mim, já é um pouco over. Teria cuidado: balancear o que a ferramenta realmente entrega com qualidade versus o que é insubstituível.”
O objetivo é tirar o atrito operacional sem degradar a experiência humana — especialmente em momentos decisivos (entrevista, feedback, proposta).
6) Integrações sem fricção: RH + TI na mesma mesa
A Nuclea aprendeu depressa que aplicativo isolado não faz milagre. Processo vem primeiro; ferramenta, depois.
“Se eu troco um trabalho por outro mais trabalhoso, não ganho eficiência. A gente leva sempre uma pessoa do negócio para conversar com o TEC — desenho do processo na mesa e objetivos de ganho bem claros.”
Para integrações sensíveis (ex.: WhatsApp), segurança lidera o desenho. Onde parceiro nativo não chega, entra integrador; onde integrador não serve, desenvolvimento interno. A regra é fluxo contínuo: do problema, para o processo, para a tecnologia.
7) Autonomia com trilhos: menos fila em TI, mais agentes nas áreas
Um gargalo clássico: tudo cair em TI. A saída é ensinar as áreas a criar agentes, com limites de segurança definidos — outra imersão, agora orientada a hands-on de agentes.
“O desafio é exponencializar o uso sem centralizar em tecnologia. A gente quer autonomia possível — com regras e proteção.”
8) A provocação do headcount: eficiência como pré-condição
Com o orçamento de 2026 à vista, veio um recado executivo:
“Antes de pedir headcount, traga o problema e mostre: dá para resolver com IA? Ou não dá?”
Não é uma “meta de IA”. É meta de eficiência. O efeito colateral desejado: lideranças pensando solução (processo + dados + automação) antes de abrir vaga. Se a vaga vier, que seja justificada por valor incremental — e não por inércia operacional.
9) Performance e feedback: IA para síntese, não para julgar pessoas
Em performance, a Nuclea está construindo internamente um apoio de IA para síntese de feedbacks 360°, com anonimização do estilo de escrita — para reduzir vieses e a “identificação pelo jeito de falar”.
“Não é só eficiência; é um jeito de trabalhar melhor. A IA resume o que foi dito, sem atribuir a ninguém.”
A ênfase é ética e experiência: IA como mediadora que organiza informações, sem substituir a conversa entre pessoas.
10) Gerações e carreira: especialização profunda vs. combinação de competências
Para os próximos anos, a gestora prevê que carreiras vão diferenciar quem domina IA como competência transversal:
“O que vai diferenciar é: sei usar, crio eficiência. Menos especialistas ‘de um assunto só’ e mais gente que transita entre tecnologia, dados, inovação e IA.”
Ela destaca a força da combinação geracional: profissionais seniores com método e profundidade + jovens com fluência digital e repertório de ferramentas. Duplas potentes surgem daí.
11) ROI: o que medir e quando
O ciclo de métricas formais de ROI está em construção — com previsão de consolidação em 2026. Em 2025, o foco foi descoberta e teste (Copilot, chatbots, integradores, geração de conteúdo, seleção, performance).
“Copilot melhorou muito minha vida — mas medir exatamente ainda é desafiador. Em 2026, a conta fecha melhor.”
Até lá, a bússola é eficiência percebida + risco controlado + evolução de processo.
Conclusão: IA como competência organizacional — com ética e método
O caso Nuclea não é “mar de cases prontos”. É plano sério de transição: cultura, segurança, processo, ferramentas e gente — na ordem certa. O time de DHO posiciona IA como habilidade de todos, não “projeto do RH” ou “da TI”. E o recado executivo equaliza expectativa: eficiência primeiro; headcount, só quando fizer sentido.
Ao fugir dos extremos (tanto do “substituir pessoas” quanto do “qualquer coisa vale”), a Nuclea escolhe o caminho mais difícil — e mais sólido. O que fica é uma tese simples e exigente: IA é competência, não atalho.
“A gente sai do hype e vai para o case — com cuidado, autonomia e responsabilidade.”
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