Os desafios reais da regulação e o papel da IA na virada da educação: o ponto de vista da Fametro
Entre o rigor da regulação e a força da tecnologia, a Fametro mostra como o EAD pode continuar sendo inclusão — e não restrição.
Raphael RosaOctober 9, 2025
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Com o novo marco regulatório do ensino a distância, o setor educacional brasileiro vive um ponto de inflexão. De um lado, um Ministério da Educação disposto a elevar padrões de qualidade. Do outro, instituições tentando equilibrar sustentabilidade financeira e inclusão regional.
Poucos conhecem esse dilema tão de perto quanto Leonardo Florêncio da Silva, gestor de EAD da Fametro, grupo educacional com sede no Amazonas e presença crescente no Norte e outras regiões do Brasil. Em uma conversa direta e sem rodeios, ele expõe as tensões entre qualidade, custo e acesso, e aponta onde a inteligência artificial pode se tornar a chave da virada.
1. Quando o regulatório pesa mais do que ajuda
Para Leonardo, o novo marco regulatório é bem-vindo — mas veio com o freio de mão puxado. A intenção de garantir qualidade é legítima, mas o resultado, segundo ele, foi um excesso de rigidez que ameaça o próprio acesso à educação.
A nova exigência de presencialidade mínima (10% da carga horária) e a obrigação de ter docentes em polos de apoio transformam a operação de EAD em algo quase inviável para instituições de médio porte. No papel, isso eleva o padrão. Na prática, eleva o custo.
“Antes, um curso de Logística poderia ser totalmente online com excelente qualidade. Agora, a instituição precisa ter um professor presencial em cada polo. Isso muda toda a conta — e quem paga é o aluno”, explica Leonardo.
O ponto central de sua crítica é a falta de sensibilidade regional. No Norte do país, onde a Fametro atua, há 62 municípios no Amazonas, muitos sem infraestrutura adequada ou internet estável. Em várias localidades, o EAD é a única ponte possível para o ensino superior. O novo marco, que parte da realidade do Sudeste, pode se tornar uma barreira invisível justamente para quem mais precisa de acesso.
2. O efeito dominó: preço, escala e concentração
Ao apertar as regras, o MEC pode acabar acelerando a concentração de mercado — um movimento em que apenas grandes grupos educacionais têm fôlego para sustentar os novos custos.
Segundo Leonardo, os reajustes de preço já são inevitáveis. As análises internas do mercado projetam aumentos partindo de 20% no valor das mensalidades. Essa pressão não é homogênea: ela pesa mais sobre o estudante típico do EAD, aquele que equilibra trabalho, família e estudo com o orçamento no limite.
“Esse público é extremamente sensível a preço. Às vezes, a decisão é literal: ou pago a mensalidade, ou faço o mercado da semana”, comenta.
O cenário é paradoxal: uma regulação pensada para garantir qualidade pode, na prática, aumentar a exclusão e reduzir a diversidade de ofertas no interior do país.
3. O recomeço da Fametro: reaprender o Norte
Fundada em 2002 e consolidada como centro universitário em 2017, a Fametro começou com cursos de gestão e se expandiu fortemente na área de saúde — especialmente medicina, que hoje é seu carro-chefe no presencial.
O EAD, credenciado em 2019, entrou em operação sob o comando de Leonardo logo em 2020.
Essa mudança, diz ele, foi um choque de realidade. “O Norte tem suas próprias dinâmicas. O que funciona em São Paulo não se aplica aqui. Tivemos que reaprender tudo: desde o perfil do aluno até a logística de entrega dos cursos.”
Hoje, a Fametro soma cerca de 50 mil alunos — sendo 12 mil apenas no EAD e semipresencial. O grupo opera polos em Manaus, Parintins, Santarém, Roraima e prepara a expansão para Belém e Fortaleza. A estratégia é clara: consolidar o Norte como base de crescimento e escalar nacionalmente com formatos híbridos e adaptáveis à nova regulação.
4. IA: de promessa a plano concreto
Enquanto o MEC exige mais presencialidade, Leonardo aposta em inteligência artificial para devolver eficiência e escala.
Ele enxerga dois grandes papéis para a IA no novo modelo de ensino superior.
O primeiro é atuar como mediadora de aprendizagem, auxiliando professores em tarefas de correção e análise de atividades discursivas — um desafio que tende a crescer com a nova obrigatoriedade de provas presenciais e questões abertas.
O segundo é mais ousado: a criação de um mediador pedagógico virtual, capaz de acompanhar o aluno 24h por dia, respondendo dúvidas acadêmicas, administrativas e emocionais. “Um avatar personalizado por aluno, humanizando o digital. Por mais artificial que pareça, pode ser o elo que faltava entre tecnologia e acolhimento”, explica.
A visão não é distante. Com a integração entre equipes de tecnologia e de ensino à distância — hoje praticamente um único time dentro da Fametro —, a instituição já prepara o terreno para essa nova camada de personalização inteligente.
5. Qualidade: o ENADE como espelho real
Leonardo também vê o ENADE como o principal instrumento de aferição de qualidade do ensino. Para ele, é a única avaliação que mostra de fato se o aluno aprendeu — ao contrário das visitas presenciais de avaliadores, muitas vezes rápidas e superficiais.
O novo formato, com provas mais analíticas e foco em competências, deve exigir mais das instituições, mas ele considera o esforço necessário.
“Vai dar trabalho, mas é o tipo de trabalho que vale a pena. O ENADE mostra a realidade, diferente do regulatório, que tenta impor uma forma sem olhar o contexto.”
6. Entre o rigor e a inovação
A fala de Leonardo resume um sentimento cada vez mais comum entre gestores educacionais: o setor precisa de qualidade, mas também de liberdade para inovar.
A regulação é necessária, mas o aprendizado do Norte revela que o país é múltiplo — e que aplicar as mesmas regras para contextos diferentes é, no mínimo, ineficiente.
Enquanto muitos enxergam o novo marco como um obstáculo, a Fametro escolhe tratá-lo como uma oportunidade para redesenhar seu modelo acadêmico e reimaginar o papel da tecnologia na educação.
Conclusão
A entrevista com Leonardo Florêncio mostra o retrato nu e cru da educação brasileira em 2025: conectividade precária, regulação pesada e um abismo entre discurso e realidade.
Mas também mostra uma faísca de futuro. A mesma que faz a Fametro, lá do coração do Amazonas, repensar o que é ensinar e aprender à distância — e ver na IA não uma ameaça, mas um caminho para equilibrar escala, qualidade e humanidade.
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